2015: o ano dos três sonhos realizados.

2016 começa, tal qual 2010 começou, com um post sobre o ano anterior, que foi apenas escrito bem depois da virada de um ano para o outro! Motivo: preguiça, oi! o/

2015 foi um ano cheio, bem cheio. Posso dizer facilmente que foi o ano mais repleto de coisas da minha vida, de calmarias a tempestades. E foi o ano de realizar três sonhos.

Lá no começo eu já havia me inscrito para a tão sonhada pós-graduação em Hematologia. Claro que sair da zona de conforto sábados e domingos não foi nada fácil. Tanto não foi fácil que a preguiça de voltar agora em fevereiro é inacreditavelmente gigante. Mas a beleza do campus da Universidade Positivo e toda a infraestrutura proporcionada faz com que a gente tenha mesmo vontade de ficar lá um final de semana. (Tá, menos no domingo de tarde!) A maioria dos professores até agora foram excelentes, os colegas da turma nem tanto. Acho que a mistura de graduações acabou complicando um pouco, já que tem até um médico participando das aulas. E como eu sou bicho do mato, é claro que fiz amizade apenas com uma pessoa, e deu. Pra que se enturmar com todo mundo, gente? Ver essas pessoas uma vez por mês já tá louco de bom. O que não tá louco de bom é saber que tenho um TCC em dupla (com essa única amiga que fiz, óbvio) e não ter a menor ideia de como sequer começar o bendito. Enfim, que venha! Sonho número um: realizando com sucesso!

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E daí, lá por março que me lembre, eu vi um anúncio que os Backstreet Boys viriam ao Brasil. E é claaaaaro que quando eu resolvi comprar os ingressos já não tinha mais! Mas não há de ver que quando as coisas são para dar certo, elas dão e pronto? Uma empresa de turismo que só trabalha com shows e eventos abriu caravanas (faço questão de usar essa palavra! hehe!) para os shows, e de repente, lá estava eu, com meu ingresso confirmado. EU IA VER OS BACKSTREET BOYS!!!! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Não conseguia parar de gritar, de sorrir, e suspirar pensando que finalmente, após 18 anos de espera, eu ia ver os cinco garotos, quer dizer, agora homens, que fizeram parte de mais da metade da minha vida! Era inacreditável! E mesmo sendo no dia dos namorados (diga-se de passagem, meu primeiro dia dos namorados morando junto com o Tony), pulei da cama de madrugada, e fui me encontrar com mais 30 trintonas, casadas e com filhos na sua maioria, que formavam a tal caravana BSB-CWB! Se foi divertido ir de caravana? Demais! E o show? Como foi? INACREDITÁVEL!!! Prometo um post mais completo sobre essa experiência fantástica de realizar um mega sonho, que teve de tudo, inclusive passar 7 horas sentada no chão duro, com chuva e frio, para pegar um bom lugar na plateia! Foi demais! E só posso dizer que os cinco garotos se transformaram em cinco homens lindos! Não me levem a mal, amo meu marido (que aliás pagou metade da viagem de presente de dia dos namorados), mas os BSB vêm comigo há 18, quase 19 anos e estarão para sempre no meu humilde coração adolescente.

Sonho número dois: realizado com sucesso!

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Marido? Eu disse marido? Sim, sim, salabin! Marido! Eu e o Tony conseguimos: casamos. De papel passado, véu, buquê, vestidão, terno, com festa, bolo e brigadeiro! O mês do nosso casamento foi o mais maluco possível. Teve de tudo, desde desentendimento feio com a minha mãe, até desentendimento não tão feio com a cerimonial. E as 48 horas do final de semana da festa em si foram as mais malucas que qualquer pessoa jamais pode imaginar. Também prometo um post mais detalhado sobre tudo o que aconteceu, porque foi muito massa! Louco, bem louco. Mas muito massa! Tão massa que terminou num boteco com um mega hot dog na mão! Mas isso é história pra outra hora… Casar é muito legal, e eu recomendo! Recomendo inclusive fazer como fizemos, com uma preparação de quase dois anos, para que nada ficasse fora do nosso controle. E, digo uma coisa: tudo ficou certinho! Do vestido a lua de mel, não há do que se reclamar. Foi lindo!

Sonho número três: realizado com sucesso!

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Mas teve muito, muito mais em 2015. Reaprendi a comer, aprendi a correr, e reaprendi a emagrecer. Foi uma ótima experiência também. Nunca imaginei que teria uma crise de abstinência de cafeína e de glúten, mas tive, com a nítida sensação de “eu vou morreeeeeeeeer se não tomar uma xícara de café!” e 70 dias depois sem cafeína, uma simples xícara de café passado foi capaz de me deixar pilhada por 36 horas. Sim, já retomei meus hábitos cafeínicos (não sei se essa palavra existe), e ainda não consigo pensar em passar pela crise novamente. Mas o que vamos passar logo é pela volta das corridas noturnas, porque tudo o que emagreci durante o ano, consegui recuperar em um mês e pouco sem dieta. É a vida depois dos 30, minha gente. 🙂

Teve terapia! Está tendo, na verdade. Fui parar finalmente no divã e digo e repito pra quem quiser ouvir: é a melhor coisa fazer análise, e todo mundo deveria fazer. Fato. Até porque eu passei a vida achando que seria apenas sentar para alguém te ouvir, mas não é nada disso. É autoconhecimento. É uma pessoa na tua frente, segurando um espelho que finalmente você consegue enxergar. E não é fácil, verdade seja dita. Dói. Às vezes você chora, às vezes você ri. Às vezes você acerta, às vezes você faz cagada e pensa que vai levar um puxão de orelha do terapeuta e não leva nada. Porém, todas as vezes você sai da sala pensando e crendo que pode ser uma pessoa melhor. Primeiro para você, depois para os outros. Mas sempre e sempre, primeiro para você!

2015 teve trabalho, teve plantão, teve mais tempo com amizades. Teve botecos de sexta à noite, cervejas artesanais, e mignon na air fryer. Teve despedida de uma amiga que foi para o Canadá, morar e ser feliz por lá! Dizer tchau pra Dani foi uma das coisas mais difíceis que poderia fazer, porque ela tem sido uma das minhas melhores amigas desde que eu tinha 16 anos. E uma das poucas pessoas com quem eu converso e que simplesmente me entende, sem eu precisar provar nada pra ela. E é claro, assim que der, faremos uma visita! Ah, se ir para o Canadá fosse tão fácil quanto ir pra Ponta Grossa…

2015 teve meus meninos crescendo mais rápido do que imaginava. Felipe, lendo e escrevendo com letra cursiva, Henrique, arranhando na leitura e com uma doçura que é só dele. E uma saudade que só uma Ticá sabe sentir. Teve, obviamente, muita briga e discussão com a minha mãe, chegando ao cume no dia do casamento (sim, horas antes de casar…) e levando a um sentimento que já não sei mais explicar.

2015 teve observar o vício das pessoas no whatsapp e no facebook, e não me entendam errado, eu me coloco entre essas pessoas com todo esse vício. Porém, sou daquelas que cada vez mais tentam deixar de lado essa mania louca de postar, postar, postar, conversar, conversar, conversar… Nem só de “uátz” e “feice” vive o homem.

E 2015 teve muito amor! Viver com o Tony no dia a dia tem sido uma aventura maravilhosa, com tudo o que se tem direito. Se um dia estamos no alto da Big Tower, com mil frios na barriga e com uma vista maravilhosa, e nos próximos 3 segundos despencamos em queda livre de uma altura de sei lá quantos metros, ainda assim chegamos vivos lá embaixo! É mais ou menos assim que é amar, sabe? Uma aventura constante, com todos os altos e baixos que temos direito, todos os frios na barriga, com todas as emoções, todos os nervosismos, tudo o que podemos ter! E, mais ainda, a certeza que nosso amor é maior que todas as turbulências da vida.

Tivemos viagens, lua de mel da loucura do Rio de Janeiro à calmaria de Florianópolis, podendo gastar e comprar o que quiséssemos, pelo simples fato que trabalhamos muito para chegar onde estamos. Tivemos médicos, tivemos família, tivemos amigos. Tivemos muitas e muitas coisas ao longo dos 365 dias que já passaram faz um tempinho já.

E para 2016? Que teremos?
Bom, a princípio fazer esse tal de TCC e terminar a pós. Carteira de motorista. Retomada da vida saudável. E seguir trabalhando e planejando, para que lá no final desse 2016 que se inicia, a gente possa olhar pra trás, virar a página desse ano, e começar um outro novinho, do jeito que a gente quiser que seja!
É isso!

Feliz ano novo!

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É hoje!

É hoje que completamos cinco anos de namoro. Cinco anos de uma história que chega aqui, hoje, com a certeza de que fizemos a escolha certa.
Três anos atrás, quando sentamos numa tarde e planejamos todo o casamento, sequer imaginávamos todo esse caminho que trilhamos. E hoje, quando nós olhamos para trás, vemos que houve propósito para cada passo dado nesse caminho.

Nem tudo são flores num relacionamento. Como diria a música do Maroon 5: “it’s not always rainbows and butterflies, but compromise that moves us along” (“não são sempre borboletas e arco-íris, mas é compromisso que nos levam adiante”), e a letra tem razão. Nosso caminho teve buracos, tiveram pontes que passamos por cima, algumas outras que vimos serem levadas pelas enxurradas da vida e tivemos que encontrar caminhos alternativos. Alguns campos verdejantes e belos, onde não houve nada além das borboletas e arco-íris da vida. Céus azuis e céus tempestuosos. Noites claras de luar, e noites relampejantes, de frio e chuva. Tivemos de tudo.

Mas também tivemos, e ainda temos, a certeza de olharmos para o lado, seja qual for desse pedaço do caminho que estamos andando, e vermos pares de olhos castanhos nos olhando. Sejam abertos em um largo sorriso, sejam bem abertos em algo surpreendente, sejam espremidos e inchados de tristeza e mágoa. Mas, estão ali, ao nosso lado, um olhando para o outro.

O que o futuro nos reserva? Quem dera soubéssemos! Ou não! Sinceramente, não me importa saber o que será do dia de amanhã, contanto que possamos viver o hoje intensamente! Nosso futuro a gente constrói, com a ajuda de Deus!

E que Deus nos ilumine e abençoe a cada dia de nossas vidas juntos!!

Meu amor, é lindo demais chegarmos nesse dia tão sonhado! Que ele seja perfeito, com tudo o que ele tiver, venha o que vier! E que hoje seja o início do resto das nossas vidas! Te amo!

Ass.: Sra. Carolina Oliveira da Almeida de Sousa, a.k.a. sua esposa!

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Sobre casar, ser noiva e tudo o mais.

O que é? Uma loucura, da mais deliciosa possível. É uma loucura sim, porque tem tanta coisa pra fazer, e não importa quanto de tempo antes você começa a organizar a coisa toda, sempre parece que não tem tempo o suficiente. (Apesar de que o casamento é sábado, hoje é terça e eu tô de boas em casa escrevendo). E vai dinheiro aqui, e vai dinheiro ali. E tudo é super caro, etc e tal. E todas as pessoas te olham como se você fosse a encarnação da mais sublime personagem da vida: a bela e formosa nubente, jovial e graciosa, que flutua de véu e grinalda em direção ao altar.

Então, agora eu vou falar uma coisa, não é nada disso, tá? É muito mais! Sério, muito mais!

Esse casamento começou a ser planejado em 2012, quando eu e o Tony sentamos numa tarde de sábado e colocamos num caderno todas as coisas que gostaríamos de fazer, com data, local provável, e orçamento estimado. E ali começou a folia. Antes de acidente, antes da gente quase terminar umas três vezes, antes disso. E tudo, de lá pra cá, tem sido uma grande aventura. Aventura porque a gente nunca sabe direito o que vai acontecer. Um dia é isso, outro é aquilo. Um dia você está encomendando um vestido de noiva da china, noutro está dando chilique no meio da rua porque não vai mais ter a bendita bexiga de coração que queria tanto. É uma aventura. Mas ainda assim, é mais!

É a concretização do meu sonho de adolescente/jovem, que se via caminhando em direção ao altar, mais ou menos daquela forma sublime que a galera pensa que você vai fazer. Mas, é, é a concretização de um sonho. Mas ainda assim, é mais!

É dizer sim pra uma vida toda de morrer de rir com cócegas nos pés, e aquela tentação que é o gordinho do meu tornozelo que ele adora morder (ou tentar morder). É uma vida toda de maratonas de filmes e séries, e ultimamente jogos de futebol americano, com direito a baldes de pipoca e nossa habitual cervejinha de domingo à noite. É uma vida toda de colocar as roupas para lavar, fazer compras do mês, seguir com preguiça de passar as roupas, pegar remédio um pro outro porque está com dor de cabeça, ou com cólica. É uma vida toda de lavar a louça da janta juntos (eu lavo, ele seca), de fazer listas de coisas para fazer no dia seguinte, ou dali um mês, e de descobrir aplicativos novos de celular que façam isso pela gente. É uma vida toda de errar no sal do feijão, e acertar no molho do macarrão. Ou de “Tá, abre o aplicativo e vamos pedir comida, porque hoje eu não tô afim de cozinhar.” Uma vida de dar risada e de ficar brabo. De se estressar por causa do bendito meião de futebol pendurado no varal há dias, ou da caixinha de leite que ela não esmagou antes de colocar na lata de lixo. Uma vida de ficar emputecido quando alguém se mete na nossa vida juntos. Uma vida de tudo o que a gente tiver direito a passar juntos, desde que seja assim mesmo, JUNTOS!

Isso tudo é casar. Uma festa, uma noite, um vestido. Os docinhos maravilhosos que você não vê a hora de acabar com a dieta em cima deles. O bolo que você encomendou faz um tempão. O vestido que demorou pra ficar pronto. Os vinhos que vocês levaram até a chácara. As músicas da entrada, do baile, a valsa. O buquê e a expectativa de quem vai pegá-lo. Os amigos daqui, os amigos de fora, os parentes, as fotos, o vídeo. Tudo isso também é a festa de casamento. Mas o casamento é ali, no dia a dia. Na convivência. Na tampa da privada que ele abaixa pra você. No prato pro café da manhã que você já deixa pra ele. Na janta que ele cozinha porque você está cansada por fazer mil plantões. No jogo do Atlético que você não só assiste com ele, mas segue no twitter e dá palpites também. É o filme que você dorme assistindo. É o computador dele que está sempre ligado. É a torrada com manteiga que ele tanto gosta. É o iogurte que você adora. É o mau humor matinal, de ambos. É a tpm, é o trabalho, é a vida. O casamento é a vida. A dois, juntos. Isso tudo é casar.

Já casei, há quase um ano, quando começamos a morar debaixo do mesmo teto. Esse sábado agora, teremos a comemoração desses últimos cinco anos de tanta coisa, mas tanta coisa, que não parece mais que voou, que foi ontem que a gente se conheceu, nem nada do tipo. A gente viveu cada passinho desses últimos cinco anos de uma maneira tão intensa, que não faz sentido que não seja plenamente comemorado nesse sábado. Queremos comemorar, chorar, rir, beber, dançar, e se tiver que cair, que seja! Mas queremos viver a festa, sem esquecer que o casamento já começou há um bom tempo, e seguimos casados, pro que der e vier.

Casar é lindo. Super recomendo!

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Ô, de casa!

Chega perto e sobe os três degraus que levam do jardim à casa. Jardim mal cuidado, com grama alta e muitos matos, que o tempo permitiu crescer. Se aproxima da porta, que está aberta; sempre esteve. Vai entrando devagar, um passo de cada vez, observando a poeira que se juntou pelos cantos. Procura não respirar fundo ou a rinite ataca. Passa pela sala, abre uma janela. Depois outra, e outra. Observa os raios de sol da manhã tomarem conta da sala, e ilustrarem tudo o que há ali.
Pensamentos, fotografias, ideias, está tudo lá, muito bem guardado. Corre os olhos sobre tudo o que já escreveu, sobre tudo o que já disse e sobre tudo o que já pensou. Se emociona ao ver o quanto cresceu nos últimos sete anos de vida, e relembra tudo o mais que já viveu, antes de chegar até aquela casa.
E pensa. Pensa como a vida mudou, e como mudará mais ainda.
E pensa também que deve sempre voltar àquela casa, para organizar os pensamentos, explanar as ideias, e contar da sua vida para quem gostar de ler.

Muito bem, Carol em Curitiba. Estamos de volta. 🙂

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2014 e suas (in)esperadas mudanças de eventos.

Quando o WordPress te manda um e-mail dizendo “We miss you!” é porque faz tempo que você não escreve. Então, vamos lá, WordPress! Estou aqui!

O ano não começou lá grandes coisas. No meio de uma dieta maluca e restritiva pra caramba, mas que já havia me feito perder uns vários quilos, eu me encontrava no meio de um tufão de pensamentos e sentimentos. Pensava, previa, chorava, desabafava apenas com quem podia, e adiava ao máximo o que imaginava que não teria como não fazer. Fazia planos B, 
C, D, X, Y, Z. E chorava e sentia dor no peito. Ah, as dores no peito do final do ano. O problema de você guardar o que quer dizer e o que está te incomodando por tempo demais é que não presta, e você explode. Simplesmente, explode. E aí é que você avalia se consegue juntar os cacos ou se joga fora e começa tudo de novo. No meu caso, resolvi juntar os cacos. Ou melhor, resolvemos, em dupla, em parceria.
Nunca imaginei que faria alguma espécie de plano de vida sem o Tony, mas também não via muito além na vida com as coisas do jeito que estavam. E aí, o que você faz? Joga tudo fora e dane-se tudo o que se construiu em então três anos? Não. Aí entra o lado de lá da moeda. Você se machuca, machuca o outro, e de repente, quando nada mais fazia sentido e tudo o que se via era uma bagunça, eis que a gente começa a se recontruir. Com choro? Sim. Com frases que não deveriam ter sido ditas? Também. Com coisas que foram ditas tarde demais? Com certeza. Mas, principalmente, com um amor maior e  inacreditavelmente grande, capaz de fazer com que a gente pegasse caquinho por caquinho, um do outro, passasse cola, juntasse, erguesse e fizesse com que as cicatrizes se tornassem marcas de amor e de maturidade, para continuar a construir cada vez mais toda a base que se precisa para fazer mais e melhor do que imaginamos!

E os planos para o casamento começaram a se concretizar! E a palavra é? Orçamento! Manda e-mail daqui, liga dali, pesquisa isso, planeja aquilo. Vamos fechar? Vamos visitar? Reuniões, contratos, e o “grosso” já foi feito. E, lá na cidade natal, uma mãe cheia de ressentimentos porque sua filhinha está virando adulta. Até que na época das únicas férias do ano, onde não tivemos descanso, nem no corpo e nem na mente, surge uma ideia no ar “Vamos ver esse apartamento?”
A ideia era ótima, o apartamento também. E a vontade fez todo o sentido, e o sim foi dito. Porém, cortaram nosso barato como quem tira doce de criança na frente de todo mundo. E, no meio de um choro tal e qual como de criança, mais uma ideia: “E se a gente transformasse essa kit na melhor kit do mundo? E se a kit virasse a nossa casa?” Isso tudo, claro, lá em Agosto, o mês de mudanças de vida.

E começa a reforma! Pinta daqui, vende móveis, arruma, ajeita, pendura, fura parede, compra isso, compra aquilo, a cama já chegou? Não, ainda não. Pendura, ajeita, pinta de novo, arruma, e arruma, e arruma, e a cama chega! E quando fizemos quatro anos juntos, naquele 21 de novembro que marcava o início da contagem regressiva de um ano para o casamento, eu passei a última noite sozinha no apê, para no dia seguinte dormir de conchinha para sempre. E desde então a vida mudou completamente.

Com marido em casa a vida muda. É rotina de fazer café, acordar com beijinho, e pedir pra abrir a janela do banheiro depois de tomar banho. Fazer janta pra sobrar pro almoço, ou fazer almoço pra sobrar pra janta? É lavar roupa, é ver se precisa de roupa passada pra semana ou se deixa acumular mais um pouco. Pagar contas, tentar dormir cedo e nunca conseguir, fazer compras do mês. Segunda é noite de filme, e quando eu tenho plantão ele trabalha de casa. E quando eu trabalho no sábado, a casa tá limpa e o lanche está feito. E a gente conta como foi o dia olhando nos olhos, e não olhando a tela de um computador ou de um celular, e diz boa noite com um beijo nos lábios e não com um emoticon. E é assim!

E claro, em 2014 vi muito acontecer. Vi ter Copa do Mundo em casa, com todos os estrangeiros com sotaques de todos os lugares do planeta, cruzando a XV de Novembro, e todos aqueles helicópteros sobrevoando o prédio onde vivo. Vi o Brasil perder a Copa, enquanto esperava o ônibus na Praça Osório, a caminho do plantão. Vi minhas timelines se acabarem de vergonha do Brasil, depois também com as eleições, que me fizeram perder a vontade de usar as redes sociais. Descobri a beleza do botão “unfollow” no Facebook. Vi minha mãe aceitar finalmente o fato da filha ter mais de 30 anos, ser adulta e querer viver sua vida. Mas também tive a tristeza de acompanhar um declínio financeiro tenso na vida dela, que felizmente pude ajudar. Engordei muito além do que havia emagrecido com a dieta. Apadrinhei o casamento de uma das minhas melhores amigas. Quase não vi a família do meu pai. Fiz descobertas no trabalho, e vi o quanto estou desatualizada nos meus conhecimentos. Vi o quanto meus sobrinhos cresceram, o mais velho já escreve meu nome e o mais novo tá falando quase tudo. Fui a velórios (sempre morre alguém). Desafiei meu cérebro com plantões de 24 horas. E assumi meus cabelos brancos passando tintura castanho claro a cada dois meses. Ufa!!! ☺

E pra 2015 tem muita, muita coisa! Tem festa de casamento em novembro, tem pós graduação começando em março, tem vestido de noiva chegando pelo correio, tem ainda uns 342 itens de casamento a serem resolvidos, e vai dar tempo! Tem seguir a vida juntos e trabalhando, e fazendo plantão, e estudando. Tem viver! Para assim, como diria meu noivorido, que o resto seja apenas só resto! Vem 2015! Vem logo! Você tem tudo para ser um ano incrível, basta a gente querer! 

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Monstros – parte 2

Nos últimos quase dois meses eu estou sendo obrigada a conviver com um dos meus maiores monstros: meus óculos.
Pra quem não sabe, eu sempre usei óculos, a vida inteira. Devia ter entre quatro ou cinco anos quando fui pela primeira vez ao oftalmologista. (Na minha época a gente chamava de oculista, ainda posso usar esse termo?) Minha mãe já devia estar desconfiada, eu provavelmente já estava ou sentando perto demais da televisão ou apertando os olhos para poder enxergar algo. E dito e feito: miopia e astigmatismo, geneticamente herdados do meu pai, que também usa óculos a vida inteira. E tá, tudo bem, fomos à ótica, escolhemos uma daquelas armações infantis de gatinha, cor de rosa, e pronto! Que fofa! Só que eu detestei, de cara já. Com uns seis anos eu resolvi que não ia mais usar aquilo, tirei os óculos, larguei numa gaveta e pronto. De vez em quando eu ia lá, pegava, colocava, via que enxergava melhor, tirava e escondia de novo. E nunca mais ninguém ia dizer que eu precisava de óculos.

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Aos oito anos eu já tinha bastante dificuldade de enxergar o quadro na escola, apesar de ler e estudar bastante naquela época. Tinha dores de cabeça, e minha professora deve ter falado pra minha mãe que eu não enxergava. Aí lá fomos nós, de volta ao oculista. E eu lembro muito bem desse dia, porque eu fiquei o caminho todo argumentando com a minha mãe o quanto eu tinha uma visão boa, que eu não precisava de óculos, que eu não queria usar óculos de jeito nenhum, etc, etc… E aí eu estava lá, sentada naquela cadeirona de oculista, com lentes trocando na minha frente e eu tendo que ler todas as letrinhas. E até aí, tudo bem. Mas na hora que o médico me deixou com as pupilas dilatando após pingar colírio, e virou pra minha mãe e disse: “Sim, miopia e astigmatismo. E ela terá que usar óculos para sempre.”, ali eu comecei a chorar. Minha mãe riu de mim. “Você está chorando? Por que você está chorando?” Como por que, mãe?! Como assim, mãe?! Eu não falo pra você há anos que eu não gosto de usar óculos e vem esse cara aí e me fala que eu vou ter que usar pro resto da vida?! E você ainda me pergunta por que eu tô chorando?! Tá, tá, eu não respondi isso. Mas deve ter sido algo do tipo “Mas eu não queeeeeeroooo…” Até que o médico me deu ótimas notícias. Ele disse que quando eu fizesse 21 anos eu poderia fazer a cirurgia e tudo estaria resolvido! Todos os meus problemas acabariam! E pronto! Eu vivi até os 21 anos aguardando ansiosamente meus graus estabilizarem para eu poder operar os olhos.

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E nesse tempo, vieram muitas coisas. Eu me achava feia com os benditos dos óculos. Sempre que possível, escondia os óculos para tirar uma foto. Para ir em festas, eu nunca ia de óculos. Sofri muito na minha festa de 15 anos, eu lá linda, e sem enxergar direito quem estava chegando para me cumprimentar. E quando eu comecei a ir pras “baladas” com a minha irmã? Daí eu resolvia ir sem óculos e dava vexame. Não enxergava, caía, tropeçava… E acabei culpando o fato de achar que nenhum menino gostava de mim por causa dos meus óculos. Uso ou não como exemplo o fato de que em uma festa que eu fui SEM os benditos foi quando dei meu primeiro beijo? Não faz muito sentido, mas sempre associei as duas coisas. Até porque eu era a “menina de óculos”, sabe? “Quem é a Carolina? Ah, a menina de óculos.” Pacote fechado.
Praticamente a cada um ano e meio eu tinha que trocar de óculos. Ou o grau aumentava, ou eu quebrava os óculos no meio, ou levava uma bolada na cara e eles quebravam. E minha mãe adorava, já que meu grau era sempre o mais alto e os óculos saíam sempre muito mais caros que uma simples miopia.
Aí quando eu fiz meus tão sonhados 21 anos, finalmente meus graus começaram a estabilizar e eu via a possibilidade da tão sonhada cirurgia. Só que a gente não tinha dinheiro, não tinha plano de saúde, os planos de saúde não cobriam, e ficamos assim mesmo: sem cirurgia, e de óculos. Até que a minha formatura da faculdade começou a se aproximar e eu falei que eu não ia me formar nem de óculos e nem sem enxergar nada! Foi quando minha avó, linda e maravilhosa e benevolente, decidiu me dar de presente de formatura lentes de contato. SÓ ALEGRIA, VÓ!!! Pensa na felicidade de uma pessoa ao colocar lentes de contato e conseguir se enxergar no espelho sem óculos! Com os olhos livres! Foi incrível! No começo eu me batia bastante pra colocar, derrubava na pia, lavava, limpava, abria o olho com tudo, colocava, ela pulava pra fora do meu olho, uma ginástica! Mas eu me acostumei rapidinho, e a vida tomou um outro colorido. A primeira vez que eu saí de casa de óculos escuros foi inacreditável! Foi tudo excelente, muito bom, e a vida era totalmente diferente.

DSC01280E cada vez que eu voltava ao oftalmologista para rever o grau e encomendar lentes novas, eu ficava apreensiva, pois cada vez o grau subia e eles me alertavam “Viu, use mais óculos e menos lente. Seus olhos agradecem.” Mas pensa que eu segui o conselho? Nada… Até passava um domigo de óculos, mas o que mais me importava era não ter nada no rosto ao me olhar no espelho. Até que quase dois meses atrás eu senti uma necessidade realmente muito grande de ir ao oftalmologista e ver o que estava acontecendo. Eu já estava com as lentes vencendo, percebia que era difícil enxergar de longe e o olho esquerdo vivia ardendo. E aí veio o diagnóstico: minhas córneas estavam severamente danificadas pelo uso contínuo das lentes de contato. Aí o médico pediu para eu ficar 10 dias apenas com óculos, usando colírio diariamente, e disse que faríamos exames de córnea para avaliar o quanto elas estavam danificadas. E disse, com todas as letras, que eu corria risco de nunca mais usar lentes de contato. E eu, como se eu tivesse 8 anos novamente, saí do consultório chorando, verdade seja dita. Chorei, mas engoli, e retornei após os 10 dias para descobrir que, sim, as córneas estavam danificadas e que ainda era impossível descobrir meu grau correto. E que eu não poderia de maneira nenhuma seguir usando as lentes que eu usava, e que ainda era pra voltar em um mês, repetir os exames e fazer um óculos definitivo. E que se eu quisesse operar, poderia, tranquilo. E que eu também poderia usar lentes de contato mais caras, mas específicas para o tamanho das minhas córneas, e que não as danificaria mais. Mas só depois de vários meses. E aí, paciência. Mais um mês de óculos, e o retorno semana passada para saber que estava tudo bem, que as córneas estavam restauradas e que eu poderia fazer óculos do grau correto. Mas que teria sim que ficar só com os óculos, nada de lentes de contato, ao menos pelos próximos seis meses.
E hoje fomos buscar os óculos novos. O Tony me ajudou a escolher uma armação bem legal, que combina com o meu rosto. Eles são grossos, o grau é bem alto, e custaram caro. São lindos! E eu terei que me acostumar com eles, de qualquer forma. Eles não deixam de me incomodar, mas eu terei que conviver com eles, paciência. Um dos meus monstros, de quem eu fujo desde os 5 anos de idade, voltou pra ficar mais um tempo, que se tudo correr bem será curto. Mas ele está aqui, pra ficar.

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Ok, óculos. Entre, fique à vontade e me ajude a enxergar novamente.

Um ano de dor. Ou, como foi o acidente, o que eu senti e o que preciso desabafar ainda.

Ao longo desse um ano de acidente eu percebi que tenho muita, mas muita necessidade de conversar sobre o que aconteceu. E o que aconteceu, aconteceu exatamente há um ano. Então, para “botar pra fora” as coisas que me angustiam, como de um dos dias mais tensos da minha vida, senão O dia mais tenso da minha vida, vamos escrever sobre ele.

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Não foi o fato da minha intuição estar praticamente gritando no meu ouvido “Não saia de carro! Não saia de carro!”, não foi apenas o fato da mulher que bateu na gente estar em alta velocidade e não ter tido absolutamente nenhum reflexo quando a gente cruzou a frente dela, e também não foi o fato de que meu cunhado não viu o carro vindo. Não foi só isso. Foi tudo isso. Foi o susto, o fato de ter ficado alguns segundos desacordada, que pareceram vários minutos até que juro que ouvi uma voz dizendo “Carolina, acorde.”, e acordar sem saber direito o que tinha acontecido até ver o carro que bateu na gente com a frente toda amassada, e a gente lá dentro, preso. O susto do silêncio repentino onde só o Tony teve a tranquilidade aparente de perguntar pra mim “Amor, você está bem? Consegue se mexer?” misturado ao alívio de ver que todos estavam vivos dentro do carro, e que sim, eu podia mexer pernas e braços, apesar das pernas estarem prensadas pelo branco do motorista e o ombro direito ter uma dor lancinante, que só estava sendo suportável pela quantidade considerável de adrenalina que acredito que corria pelo meu corpo naquele momento. A visão turvou, uma moça veio até mim pela janela quebrada ao meu lado, segurou minha mão e me disse “calma, que o Siate já está chegando! Calma! Você é namorado dela? Segura a cabeça dela assim, ó! Isso! Calma, vou segurar sua mão…” enquanto eu queria chorar mas queria manter a calma ao mesmo tempo. A visão turvou de novo, e as luzes das ambulâncias chegaram, em poucos segundos. E quando eu dei por mim, estava finalmente sendo tirada do carro, já sentindo as dores no quadril. E nunca mais eu vi aquela moça, nem sei o nome dela, mas agradeço a Deus pela vida dela também, pois ela me ajudou a manter um pouco a calma. Mãos de anjo me colocaram naquela tábua rígida e me levaram pra dentro da ambulância, onde o socorrista Fábio (sim, eu perguntei o nome do socorrista, e cada vez que vejo o Siate lá no hospital tento prestar atenção aos nomes dos socorristas, pra ver se não encontro aquele abençoado que me socorreu aquela noite. Mas, não, nunca encontrei.) também me acalmava e me explicava que ia me levar pro Hospital do Trabalhador, e que eu estava tremendo de frio e de estado de choque, e que não estava tendo uma hemorragia. Obrigada, Fábio! Não sei quanto tempo se passou até o Tony entrar comigo na ambulância e a gente ir pro hospital. O atendimento no Pronto Socorro foi igual de filme mesmo. Enfermeiras, médicos ao meu redor, pessoal pegando informações, eu desesperada pra lembrar meu RG e meu CPF, e principalmente meu nome completo, o que seria prova que a cabeça estava boa e que sei lá porquê minha visão turvava de vez em quando! Veio uma abençoada e cortou a manga da minha jaqueta para me dar uma dose de dipirona, cortou meu sutiã também dizendo que ia fazer de um jeito que eu pudesse recosturar, e eu pedi pra ela não fazer nada com a minha blusa. “É nova, moça!” Fiquei numa fila para o raio X, o que demorou, ali eu lembro. Mas quando fui atendida, os técnicos cuidaram bem de mim, mas foi aí que a dor foi insuportável. E aí, sabe-se lá quanto tempo mais depois, a médica veio me explicar o que havia acontecido comigo. O susto de ter quebrado a bacia e a clavícula, o fato de não conseguir me mexer na maca, a posibilidade ou não de ser operada naquela noite mesmo, absolutamente tudo me assustava, mas nada me assustou mais do que receber alta, daquele jeito mesmo. “Mas, como assim? Eu to quebrada! Não posso ir pra casa!” Mas, eu fui. Não sem antes ter uma crise de hipotensão ortostática causada por 7 horas deitada naquela tábua rígida do Siate e uma dose cavalar de Tramal num organismo que havia apenas almoçado. Chegamos em casa às 3 horas da manhã, não sei como o Tony me tirou do carro, não sei como entramos em casa, e não sei como deitamos na cama. Lembro de ter comido alguma coisa e tomado uns goles de Coca, ter conversado rapidinho com a minha irmã e ter tentado dormir. O Tony até cochilou e acordou gritando “Não, não, não, não, não!”, eu o acalmei e ele voltou a dormir. Mas eu não dormi. Sem chance.

O dia seguinte foi mais cheio de dores e de telefonemas. Explicar para todos o que havia acontecido quando sequer você mesma entendia o que tinha acontecido, também foi uma coisa bizarra, estranha. Sentir todas as dores que eu jamais havia sentido na vida, chorar para ir ao banheiro, e andar de cadeira de rodas pela primeira vez. E explicar para uma mãe desesperada, voltando de viagem, que eu não estava morta, também foi complicado. E os resto dos dias se seguiram com dores, internas, externas, choros, discussões e gritos, muito nervosismo, até que a minha mãe veio me buscar para eu passar minha recuperação em Ponta Grossa. Três horas de viagem até lá, com o primeiro trauma de entrar num carro novamente e pegar uma estrada congestionada, acabou me levando a algumas crises de choro no caminho. E chegar em Ponta Grossa sabendo que eu havia deixado metade de mim aqui, doeu mais do que as minhas fraturas.

A ficha só foi realmente cair do que havia me acontecido depois que tirei os primeiros raios x que o ortopedista havia solicitado. Quando ele olhou a bacia e disse “São quatro fraturas!”, e olhou a clavícula e praticamente ordenou “Vou te operar no sábado!” é que eu realmente entendi o que tinha acontecido. “Carolina, são 120 dias de recuperação no total, e 90 sem pensar em trocar passos! Só de cadeira, no colo, do jeito que for, mas sem andar. Pode levantar e sentar, mas não pense em trocar passos!” Pode deixar, doutor. Com a dor que eu estou sentindo, tudo o que eu quero é ficar quietinha…
E o tempo foi passando, e a cirurgia foi um sucesso, e a recuperação do braço foi ótima. E o coração foi fraquejando, e meu relacionamento sendo minado por inúmeros motivos e acontecimentos. E dor, muita dor. Dor ao levantar, dor ao sentar, dor ao ficar muito tempo deitada, dor ao ficar muito tempo sentada. Dor pra tomar banho, dor pra espirrar, dor pra rir. Muita dor. Dor no peito, também. Mas, como tudo passa e se ajeita nessa vida quando a gente realmente quer, a dor no peito foi diminuindo com muita compreensão, e o bendito Tylex ajudou com as dores na bacia. E o tempo foi passando…

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Meu pai aparecia toda semana por lá, geralmente com um lanche diferente pra gente comer. Minha irmã estava lá quase todos os dias, meu sobrinhos ao redor. Filme e livros não me faltaram (foram 9 livros em quatro meses), e nem visitas. Porém, apenas as visitas que realmente se importaram em ir até a casa da minha mãe. Muita gente que eu imaginei que fosse me ver, nunca foi. Porém, quem se importou, telefonava, conversava e ia lá sempre que dava. E isso fez toda a diferença na minha vida.
Andar de cadeira de rodas é interessante. Interessante porque as pessoas te constrangem, sabe? Elas ficam te olhando como se você fosse alguma espécie de alienígena, todo verde coberto com uma meleca roxa, que sai rodopiando no meio do povo gritando que vai tomar seu planeta. Sério, é contrangedor. Ainda mais em uma cidade tão tradicionalista como Ponta Grossa. Os dias mais divertidos foram os que eu fui ao shopping, ainda mais quando fui num sábado! Foi ótimo! Eu queria ter filmado a expressão das pessoas ao me olhar. Dó? Nojo? Medo? Compaixão? Um tanto de tudo isso, mas principalmente o espanto. Agora, ir ao Tozetto do Jardim Carvalho era torturante, mas interessante também. Mais bacana foi encontrar uma colega minha do colégio, que me olhou de longe e deu um tchauzinho com um “oi, tudo bem?”, virou as costas e fingiu que não havia me visto, já que eu provavelmente tinha alguma doença contagiosa que faria todos ao meu redor ficarem numa cadeira de rodas. Bacana, foi bem bacana. E inacreditável também. (Falo ou não falo que ela é de uma igreja evangélica super mega crente? Melhor não, né? Muita polêmica…)

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Mas, novamente, os dias foram passando, e completados os 90 dias, eis que eu chego no consultório do ortopedista e ele me ajuda a levantar e começa a me fazer caminhar sozinha pela sala. Gente, que sensação! Era como reaprender a fazer algo que você já fez a vida toda! Mas com tanta alegria que não sei nem explicar! Com uma leve dor, claro. Mas foi lindo! Isso foi! Andador em mãos, fisioterapias marcadas, era hora de finalizar a recuperação. Choques aqui, alongamentos ali, caminhadinhas devagar pra lá e pra cá, uma subidinha de escada de vez em quando, e no final de setembro, na última consulta com o médico, últimos raios x, ele me diz sorrindo “Tudo consolidado! Você está de alta! Pode voltar a trabalhar, voltar pra sua vida, só com calma. Plantão só depois de janeiro, atividade física só depois de um ano do acidente, e com muita calma. Pode caminhar devagar, andar de bicicleta devagar, e ao poucos você vai retomando seu ritmo! Agora vai, vai viver!”. Saí não me aguentando de felicidade da clínica, com uma mãe emburrada que achava que eu precisava ficar lá por pelo menos mais um três meses, o que era totalmente desnecessário e seria completamente enlouquecedor. Eu viria para a minha casa! Meu apartamento! Meu cantinho! E principalmente, voltaria para a minha melhor metade, meu noivo, meu Tony, que me aguardava aqui, com tudo organizado para a minha volta, só me esperando para retomar a nossa vida, de onde havíamos parado quatro meses antes.

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Desde então, muita coisa aconteceu. Daquele outubro de 2013 em diante ainda aconteceu muito choro, muita tristeza, muita briga, muita incompreensão. Mas muita conversa, muita mudança, muita oração, e muita, mas muita paciência, com todas as partes. Mas a vida seguiu, está seguindo e continuará seguindo, do jeito que ela deve ser.
Dor? Ainda sinto. No exato momento, depois de ficar todo esse tempo sentada aqui nessa cadeira, já estou com dor, e continuarei com dor cada vez que levantar ou sentar. É a única dor que eu tenho. A clavícula com a sua placa de titânio não me incomoda, às vezes eu sinto um estralo ou quando resolvo erguer algum peso com o braço direito ela me incomoda, mas é só também. Ainda não posso fazer muitos esforços, mas já ando de bicicleta normalmente, jogo futebol com o Felipe e subo escadas numa boa. E essa história de que quando vai chover a cicatriz coça não tem nada a ver. Por outro lado, dá alguma coisa na fratura quando esfria, e eu não sei explicar! Mas consigo fazer alongamento, posso dançar, caminhar, correr! Tranquilo! Só ficar sentada demais dói mesmo, ali na lombar, aquela dor maldita que não passa nunca…

Mas eu sigo aqui! Vivendo! E é só o que importa! Viver a vida da melhor maneira possível e imaginável! E agradecendo a Deus pelo ar que respiramos a cada dia. É só o que tenho feito nos últimos 365 dias da minha vida, mesmo naqueles dias que o mau humor impera, que o dinheiro não dá, que a TPM tá tomando conta de tudo ou que você é incompreendida. Mesmo naqueles dias de chuva e frio e você tem que sair cedo para trabalhar, ou vestindo aquela calça que você jurava que ficava mais soltinha e tá apertada. Mesmo naqueles dias onde nada mais faz sentido, você olha pro céu, respira fundo e diz “Estou viva!”.

E viva! 🙂

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E como se fosse pra comemorar a vida, hoje Deus nos presenteou com um dia do jeito que eu gosto: frio, com um céu azul onde não se via nuvem alguma! E viva um ano de vida de novo!